Os desafios da pandemia para os autistas

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento que está diretamente relacionado à dificuldade no relacionamento social. O TEA se manifesta nos primeiros anos de vida da criança e pode ser percebido através das dificuldades na comunicação e na interação social, e pela presença de comportamentos repetitivos e interesses restritos.

As dificuldades no relacionamento social podem variar de intensidade e, dependendo da gravidade, a pessoa será mais ou menos dependente da ajuda de outras pessoas. O quanto a pessoa depende de outras pessoas ou necessita de suporte determina os graus ou níveis do TEA que são: leve, moderado ou severo.

O diagnóstico dessa doença é feito através da observação clínica e da análise do histórico do desenvolvimento da pessoa. O profissional deve verificar a presença dos sinais descritos na quinta edição do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais). É possível que exames sejam solicitados para investigar as causas e doenças associadas.

Atualmente existem diversos tratamentos para pessoas com TEA, porém as terapias com maior evidência são as baseadas na ciência, Análise do Comportamento Aplicada. O objetivo principal é ensinar novos comportamentos e reduzir comportamentos que interferem na aprendizagem ou representam risco para a própria pessoa ou para outras pessoas. É muito importante que essas terapias tenham início assim que os sinais de TEA são percebidos

A existência de uma rotina é fundamental na vida de uma pessoa com autismo. Com o surgimento da pandemia, pessoas que possuem TEA sofreram bastante com um novo tipo de estresse, a quebra de rotina, interrupção das terapias e dos momentos de lazer. Foi um momento desafiador para as crianças e para os pais que precisaram reorganizar a rotina para não atrapalhar o desenvolvimento dos filhos.

De acordo com um artigo publicado pelo Grupo de trabalho de saúde mental da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com a chegada da pandemia da COVID-19 e o isolamento social, as famílias precisaram reestruturar suas rotinas e adotar medidas de ajuste. Na publicação do artigo, é relatado como a pandemia afetou a rotina dos autistas por serem mais sensíveis a mudanças e alterações do cotidiano. A cautela com a higienização, a adaptação com a nova forma de estudar, a distância dos amigos e a mudança na forma de fazer terapia está sendo um desafio para aqueles que cuidam dos portadores de TEA.

Essas transformações repentinas no cotidiano podem causar alterações emocionais e comportamentais, ou seja, a criança ou adolescente pode ficar mais agitada, ansiosa e até agressiva. Logo, os especialistas recomendam que, apesar dessa nova realidade, é importante tentar seguir o máximo possível a rotina vivenciada antes da pandemia e prepará-los para alterações inevitáveis.

Planejar as atividades do dia pode auxiliar a trazer calma e conforto à criança. Introduzir as crianças nas atividades do dia a dia pode ser uma grande oportunidade de aprendizado. Por exemplo, sugerir a participação e colaboração nas atividades domésticas, respeitando o nível de desenvolvimento e capacidade. Os especialistas têm percebido que atividades físicas, tanto dentro de casa como ao ar livre, assim como os esportes e atividades recreativas, têm demonstrado efeitos positivos no desenvolvimento de habilidades motoras, de comunicação e de interação social de crianças e jovens com TEA.