Burnout ou Estresse?

O aumento das demandas e cobranças diárias, especialmente no ambiente corporativo, tendem a afetar a saúde mental, principalmente durante a pandemia, período de maior vulnerabilidade emocional em todo o mundo. Entre as consequências disso, estão o estresse e a síndrome burnout, condições que precisam ser diagnosticadas e tratadas.

O Ministério da Saúde classifica a síndrome de burnout ou comumente conhecida como síndrome do esgotamento profissional, como um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. Em 2019, essa condição foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS), e deve entrar em vigor em janeiro de 2022.

A síndrome possui casos relatados desde a década de 1970, porém se tornou mais evidente no último século por conta da confirmação da mesma como uma doença de trabalho. Experiências profissionais estressantes que não são tratadas adequadamente, incluindo situações como não se sentir valorizada profissionalmente ou não ser promovida, podem influenciar diretamente na saúde mental. O que muitas pessoas não percebem é que mesmo amando o que se faz, é normal ficar exausta se não estiver sabendo administrar o estresse de maneira eficaz. Além disso, esse distúrbio pode fazer a pessoa perder o interesse nas coisas que costuma gostar, prejudicar seu funcionamento diário e causar mudanças em sua personalidade.

De acordo com dados da literatura, profissões que lidam diretamente com outras pessoas são as mais acometidas pelo burnout. Destacam-se os trabalhadores da saúde e da educação, além de policiais e bancários, entre outras.

Para se diagnosticar o Burnout é necessário que o paciente possua os três sintomas: Exaustão emocional, Despersonalização e Baixa realização pessoal. Os sintomas psicossomáticos, como dores de cabeça, desmaios e gastrite, não são o suficiente para o diagnóstico.


• O esgotamento vai além do cansaço físico, da fatiga, da exaustão física, é uma sensação de cansaço interminável.

• Despersonalização é um sintoma comportamental e se caracteriza pela mudança da reação desse paciente em relação às pessoas envolvidas no seu trabalho, como clientes, colegas de equipe e fornecedores. É comum que o trabalhador tenha uma postura mais agressiva, demasiada impaciência, de impessoalidade e intolerância.

• A baixa realização pessoal vem da desmotivação e insatisfação com as atividades que está realizando, e é normal começar a apresentar queda no desempenho.


Após o diagnóstico da Síndrome de Burnout, é preciso que a pessoa seja afastada do trabalho e inicie o acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Dependendo do grau do adoecimento, o uso de medicação pode ser ou não necessário.

Não existe uma forma exata de evitar completamente que a Síndrome de Burnout se desenvolva, já que é algo que foge do controle do indivíduo. Porém, os especialistas explicam que é de extrema importância que as empresas estejam atentas aos seus profissionais, que promovam programas de gestão de qualidade de vida, ofereçam condições adequadas de trabalho, respeitem as determinações legais e cuidem pra que o ambiente de trabalho seja harmonioso e que não aconteça situações de assédio moral, psicológico ou sobrecarga.


O estresse, diferente do Burnout, é a maneira como o corpo reage diante de diferentes situações de grande esforço emocional, e pode atingir pessoas de todas as idades.

Quando o corpo é estimulado, a mensagem chega à parte do cérebro chamada de hipotálamo, que a envia para uma glândula que fica logo abaixo. Ela produz hormônios que se espalham pela corrente sanguínea até chegar a outras glândulas que ficam acima dos rins. São elas que produzem os hormônios adrenalina e o cortisol. A liberação de cortisol é importante para a manutenção da sobrevivência, mas deve ocorrer na dosagem certa. Quando atinge picos, pode causar problemas. Esse hormônio é considerado responsável pelo estresse crônico porque, diferente da adrenalina, que causa as reações e vai embora, ele permanece no organismo. O cortisol inflama o organismo, que vai responder em vários órgãos: cérebro, intestino e células adiposas.

Mesmo situações positivas podem causar estresse, mas nesses casos a liberação de hormônios tende a estimular o indivíduo. No caso de situações negativas, o efeito emocional pode ser bastante nocivo à saúde.

As principais causas observadas desse tipo de estresse são:

• Conflitos no ambiente familiar

• Dificuldades financeiras

• Problemas de saúde na família

• Dificuldades no trabalho ou a falta dele

• Relacionamentos tóxicos

• Divórcio

• Excesso de responsabilidades

O estresse pode desencadear diversas doenças ligadas aos sistemas nervoso, digestivo, como gastrite e transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade.